sábado, 18 de fevereiro de 2012

IROFÁ A SINETA DA ADIVINHAÇÃO




O irofá é um dos mais importantes instrumentos utilizados pelos sacerdotes de Ifá em procedimentos litúrgicos ou na adivinhação com os ikins.
Sempre que os Odus forem, por qualquer motivo, impressos no irosun sobre o OPON, o IROFÁ será usado obrigatoriamente.
Segundo se sabe, nestes procedimentos as figuras são reveladas por Orunmilá pessoalmente que, logo que elas são marcadas no opon, passa a controlá-las até que sejam dispensadas pelo adivinho.
É com a intenção de atrair a atenção de Ifá que o sacerdote, de forma muito respeitosa, irá agitar o seu IROFÁ batendo com ele, ritimadamente, na borda do tabuleiro.
O termo “IRO” em ioruba significa “SINO” e “IROFÁ” de “IRO IFÁ”, significa “SINO DE IFÁ". 
Bascom cita ainda outros nomes, usados em diferentes regiões da Nigéria, para o mesmo instrumento.
Assim, o termo IROFÁ é usado em Ifé, em Ibadan e Oyó usa-se IRÓKE. ORUNFÁ ou ORUNKE são os nomes dados ao bastão em Meko, sendo que os termos IROFÁ e IROKE são os mais comumente usados.
A grande maioria dos IROFÁS são confeccionados em madeira e possuem uma forma cônica com uma cavidade na extremidade mais larga, onde é introduzido um badalo do mesmo material com que é feito o instrumento. Independente disto, muitos IROFÁS são desprovidos de badalos embora possuam, como os outros, a “boca” de um sino.
No corpo da peça, na parte externa, são entalhadas figuras que podem representar figuras humanas ou animais das mais variadas espécies.
Existem IROFÁS entalhados em ossos ou em chifres de animais os mais diversos, mas, os mais valiosos e disputados são aqueles confeccionados com presas de elefante. Os IROFÁS de marfim dão, a quem os possui, certo status de riqueza.
O  IROFÁ e seu uso nascem e estão fundamentados no ODU OGBEKANRAN, omó Odu resultante da interação de Ogbe com Okanran.
Em um dos itans do referido Odu fica explicado o motivo pelo qual os caçadores de elefante devem retirar o tecido branco que envolve os intestinos de cada animal abatido (ala) e oferecê-lo ao BABALAWÔ.
Os BABALAWÔS cubanos costumam usar, à guisa de IROFÁ, chifres de veado, embora alguns deles, radicados no Brasil, já utilizem os tradicionais IROFÁS em forma de sino, entalhados na madeira ou no marfim.

(ITAN DE IRETE MEJI) _
Como Ifá revelou os nomes dos 16 Odu-Meji com ajuda do IROFÁ.
 “Esta é a história da criança gerada por Ajé, mulher de Metonlonfin, chefe de todos os feiticeiros.
Em seu nascimento, esta criança prometida por Olofin aos homens para servir de intermediador entre eles, recebeu o nome de Fá Aydégun.
Logo depois de haver nascido, apesar da missão a que fora destinado, Fá Aydégun permanecia preso de um mutismo inexplicável, o que deixava seu pai muitíssimo irritado. Por mais que se insistisse, o menino limitava-se a chorar, sem emitir uma só palavra.
Certo dia, já bastante irritado pelo enigmático mutismo da criança, Metonlonfin deu-lhe uma pancada com um pedaço de marfim entalhado que portava no momento, e o menino, interrompendo seu pranto permanente, gritou em alta voz: "Ogbe".
Admirado, Metonlonfin golpeou-o novamente, e o menino gritou a palavra “Oyeku”. A um terceiro golpe, foi dito “Iworí” e recebendo golpes consecutivos, o menino foi falando: “Odi”, “Irosun”, “Owónrin”, “Obara”, “Okanran”, “Ogunda”, “Osá”, “Iká”, “Oturukpon”, “Otura”, “Irete”, “Oxe” e “Ofun”.
Depois de pronunciados estes dezesseis nomes, o pai parou de bater no menino que então lhe disse:
"Pai, as palavras que me ouvistes pronunciar, são os nomes de meus dezesseis filhos espirituais. Eu não posso anunciar mais que um deles por cada golpe recebido,  por  conseguinte, não poderia manter uma conversação sem não receber consecutivos golpes de teu bastão, ao qual darei o nome de IROFÁ.
Assim sendo, quanto mais tempo me baterem com o IROFÁ, mais tempo manterei contato com os homens. Devo revelar agora, os segredos de cada um dos meus dezesseis filhos, de posse destes segredos, qualquer ser humano poderá aliviar seus sofrimentos, amenizar suas vicissitudes...
...”Um dia, Fá Aydégun, após revelar seus segredos a seu pai, transformou-se numa palmeira e por isto é, até hoje, representado pelos negros caroços desta palmeira”.

É por este motivo que os adivinhos, para invocarem os filhos espirituais de Ifá – os Odus -  batem em seus tabuleiros com os seus IROFÁS, pois só desta forma Ifá estabelece conversa com eles.

"Texto gentilmente cedido por Awofa Ifakemi Miguel"

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